TL;DR
O ciclo de aberturas de capital de tecnologia brasileira entre 2018 e 2021 (PagSeguro e Stone em 2018, XP em 2019, Locaweb em 2020, VTEX e Nubank em 2021) consolidou tese de capital aberto em tecnologia brasileira. A Semantix chegou à bolsa depois, em 2022, por fusão com SPAC. Entre 2022 e 2026, a janela ficou substantivamente fechada. Candidatos como Tivit, Compass.uol/AI/R, Stefanini e outras avaliaram movimentos sem chegar a IPO. O cenário em 2026 mostra primeiros sinais de reabertura, mas com critérios mais rigorosos.
O ciclo de IPOs tech brasileiros opera em lógica de janelas de mercado. Quando a janela esta aberta, candidatos elegíveis aproveitam; quando esta fechada, projetos avaliam follow-on, M&A ou esperam. Entre 2022 e 2025, múltiplos fatores fecharam a janela: aumento de juros nos Estados Unidos, correção de avaliações em tech (compressão de múltiplos de 2021 para realidade pos-bull), demissões em massa em big techs e ressaca de criptoativos e SPACs.
Candidatos avaliados que não chegaram
Lista de empresas brasileiras tech que comunicaram interesse em IPO entre 2022 e 2026 mas não concretizaram: Tivit (avaliou abertura em 2022; foi adquirida pela Almaviva em 2025), Compass.uol (hoje AI/R, avaliou follow-on private em 2024), Stefanini (sondou IPO em 2022-2023 com bancos), Sankhya (private equity em vez de IPO), Senior Sistemas (manteve estrutura privada).
Algumas empresas que estavam preparadas optaram por permanecer privadas, captar via private placement, ou ser adquiridas por estratégico (caso Tivit-Almaviva).
O ciclo das listadas
As empresas tech brasileiras listadas em bolsa (incluindo as listadas no exterior) atravessaram correções relevantes entre 2022 e 2024 antes de retomarem avanco em 2025-2026. Casos públicos: Nubank após correção em 2022 retomou crescimento de receita em 2023-2024, Stone reestruturou portfólio (vendendo Linx em 2025), Locaweb (LWSA) reestruturou portfólio (vendendo Wake Creators em 2025), Semantix passou por correção significativa.
O que esperar em 2026-2027
Sinais de reabertura da janela operam em 2026: queda de juros nos Estados Unidos, retorno de IPOs em mercados internacionais (Klarna, Reddit em 2024), aumento de M&A em tech brasileira (Linx-TOTVS, Tivit-Almaviva). Candidatos prováveis para janela 2026-2027 incluem AI/R (Compass.uol), Conta Azul, Stefanini (se janela favorável) e empresas de menor porte com tese diferenciada (fintechs reguladas, healthtechs, edtechs).
Critérios em 2026
A janela em 2026 opera com critérios mais rigorosos do que em 2019-2021. O comprador de mercado quer ver: receita auditada de patamar mínimo (geralmente acima de R$ 500 milhões anuais para listagem doméstica B3 em Novo Mercado), trajetória de margem operacional positiva ou path claro para isso, base de cliente diversificada, governança corporativa estruturada. A tese de “growth at all costs” do ciclo anterior não volta como ponta de venda.
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